Celular e a neurose da sociedade imediatista na web 2.0

Você fica sem saber o que fazer, sente-se perdido ou sente-se despido, quando esquece o telefone celular? O celular é seu objeto mais pessoal, que não desgruda de você 24 horas por dia?

Engarrafado no trânsito, na fila do aeroporto ou à espera de sua namorada na hora do almoço, não hesite em sacar o celular e assistir a um filme. É o que propõe a produtora Zoie Films com seu Cellular Cinema Festival, o primeiro festival de vídeo para MobiTV.

Entediado no táxi ou na viagem de trem, ligue o celular e assista ao vivo aos programas da CNBC, CNN e ABC News, um serviço de MobiTV a US$ 9,99 por mês, lançado no início do ano pela Cingular Wireless, a maior companhia de telefonia móvel dos EUA.

A utopia de se manter conectado 24 horas por dia atingiu um patamar raras vezes alcançado. O marketing não precisa mais se contentar com territórios pré-determinados como a televisão, o rádio ou a revista para abastecer a sociedade de consumo.

Hoje, a comunicação pode se exprimir através de uma tela de seis centímetros de um celular de última geração. Levando filmes, palestras, comercias ou desenhos. Você sente o vento uivando, balançando a folhagem? Estou falando de “Mobile Marketing”, um movimento, a desmaterialização, captando o transespacial, e a eternidade no instante com sonoridades e multisensorialidade.

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O “Mobile Marketing” amplia as fronteiras da comunicação, destruindo convenções, é a precedência do fantástico sobre o prosaico, um ordenador do trânsito entre o homem e o mundo. É o invisível sobre o visível, o imaterial sobre o material.
Transforma o olhar do consumidor sobre a publicidade, transforma o passivo e contemplativo, em interativo. No “Mobile Marketing” a presença vigora, é uma orquídea rara na paisagem.

Você está preparado para o “Mobile Marketing”? No início, era apenas uma ferramenta de alerta, brevemente será a maior ferramenta de interação para alcançar o consumidor, fornece meios de entretenimento, construção de diálogos, através de técnicas de Mobigames, MobiTv e Moblogging, sendo tudo instantâneo e imediato.

No front corporativo, são os anunciantes – e não as agências – que avançam na tecnologia, as equipes de marketing das grandes companhias estão tentando se pôr à frente das inovações de comunicação que estão mudando a forma como os consumidores enxergam suas mensagens – e estão pressionando suas agências a se adaptarem.

Antes eram as agências que incitavam os clientes, hoje, os clientes incitam as agências. Essas atitudes viraram o mundo da publicidade de cabeça para baixo.

Você duvida? Um belo dia na sede da BBDO Worldwide, de Nova York, após a agência oferecer à GE mais uma coletânea de idéias de marketing tradicionais, baseada no comercial padrão de televisão, de 30 segundos. Judy Hu, gerente-geral de publicidade e de marcas globais da GE, exigiu algo audacioso, alegou que a gigante da publicidade não estava entendendo a mensagem do novo consumidor.

É preciso acabar com a proliferação da mesmice, tenho minhas dúvidas se as agências tradicionais serão ágeis o suficiente para deter um declínio lento.

Contra fatos nunca haverá argumentos. As maiores agências enfrentam o encolhimento de suas margens de lucro. As ações da maior agência do mundo em receita, a Omnicom Group, matriz da BBDO, tiveram uma queda de 13,8% nos últimos cinco anos atrás. Já no WPP Group, que possui agências como a Y&R o preço da ação está 29,1% mais baixo, mas as ações da Jamdat Mobile, que desenvolve soluções de “Mobile Marketing”, subiram 10% em um único dia. Muitos nomes famosos já estão desaparecendo, como Bates, Bozell e Lintas.

As grandes agências também enfrentam um grande número de novos rivais mais afinados com as novas tendências, que agarraram a oportunidade e estão na expectativa de roubar seus clientes. Um grande número de pequenas agências que começaram a capitalizar em cima do desejo entre os especialistas em marketing de fazer coisas de formas diferentes – e em cima da incapacidade de muitas das grandes agências de dar uma resposta a isso.

Essas “rivais” usam nomes de vanguardas, como VoxBlue, Kwead, G2, Tenda Digital, 10 minutos, Tesla, Popcom, TV1 e Ouvi – como bandeiras para indicar que não estão dispostas a trabalhar do jeito de sempre.

Fabiana Sabatini, diretora de marketing da Ouvi (www.ouvi.com.br), acredita em um tipo de publicidade além daquela produzida para TVs, rádios e jornais. “Em um mundo conectado, onde iPods, celulares cheios de recursos e internet fazem parte do dia-a-dia das pessoas, é preciso usar a criatividade para alcançar esse novo público”, contou.

A publicidade está passando por uma revolução, obrigando executivos e diretores de criação a mudarem radicalmente a forma de trabalhar. As agências se agarram ao que fazem há décadas porque é conveniente, é mais fácil. Há muita conversa e pouca ação.

Enxergando esse cenário, lembro-me dá célebre frase de Picasso ao ver pela primeira vez as esculturas negras dos antigos artistas da África: “Não sei de onde vêm, não sei para que servem, mas compreendo muito bem o que o artista quis fazer”.

Até a próxima meu amigo móvel! Mande e-mails, SMS ou MMS.

Sobre Gil Giardelli

CEO da Gaia Creative, onde lmplementa ações de Redes Sociais e Web Colaborativa para empresas como BMW, Mini Cooper, BillaBong, BioRitmo, Grupo Cruzeiro do Sul, Hotéis Bourbon, Sebrae, ENDEAVOR entre outras. Palestrante em mais de 700 eventos como TEDXSudeste, RioInfo, Fórum de Inovação, WebExpoForum e em empresas como TV Globo, BNDES, Vivo, Natura, Motorola dentre outras. Coordenador de quatro cursos no Centro de Inovação e Criatividade da ESPM - Redes Sociais e Inovação Digital, Ações Inovadoras em Comunicação Digital e Startups, Economia Criativa e Empreendedorismo na Era Digital e Ciberarte. Professor de MBA e Pós graduação da ESPM – São Paulo e Brasília
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4 respostas a Celular e a neurose da sociedade imediatista na web 2.0

  1. Já está na hora de algo similar acontecer por aqui vcs não acham?

  2. Eduardo Vasques disse:

    Gil, na boa cara… isso é tudo balela no Brasil. Porque acha que as operadoras de telefonia não lançaram de forma forçada isso por aqui? Quem vai pagar. Se quem domina a internet no país é a elite e essa mesma elite é quem contribui predominantemente pela pirataria de músicas, vídeos, etc, acha que alguém vai pagar para ter filme? Sinceridade, quando lançarem no Brasil vai ficar na mão de meia dúzia de ricos e mais uns gatos pingados! Ainda vai levar um bom tempo pra esse treco se ajeitar por aqui.

  3. fscagnolato disse:

    Gil, há tempos, uns 6 anos, quando eu trabalhava na Redecard eu enviei um projeto para meio de pagamento via celular (substituindo um cartão de crédito). A comodidade para o usuário final é gritante, porém os interesses comerciais inviabilizaram. O mesmo motivo que ainda usamos gasolina em nossos carros. Mas o mundo precisa de pessoas fascinadas com novas idéias, livres de qualquer regra capitalista. Quando uma coisa casa com a outra, vira um celular, ou uma internet…continuemos assim…abçs

    Fernando Scagnolato

  4. Marcelo Cortez disse:

    Olá, ótimo artigo!
    Pode parecer caretice, mas vejo que:
    1- Há restrição quanto ao uso de celular no trânsito, não se pode dirigir e utillizá-lo, somente se for passageiro;causa ainda muitos acidentes;
    2- A grande tarefa é barrar a censura que vem crescendo na América do Sul;
    3- o governo tem que aprender a utillizar a velocidade da informação para instruir mais o povo em português e principalmente, matemática; do contrário, continuaremos como robôs daa estratégia de países de primeiro mundo, sabendo falar a língua deles e sem saber uma mísera tabuada.
    dessa forma, saberemos ver o que ér critério de admissão de um produto em nossas vidas. Não interessa o quão boa será sua estartégia de marketing.

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