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	<title>Gil Giardelli &#187; Eric Hobsbawm</title>
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	<description>Um olhar sobre a humanidade 5.0</description>
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		<title>O objetivo de uma economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 17:17:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gil Giardelli</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia criativa]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[Carta maior]]></category>
		<category><![CDATA[Eric Hobsbawm]]></category>

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		<description><![CDATA[Eric Hobsbawm: uma nova igualdade depois da crise! O texto foi publicado no jornal La Repubblica, em 09-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Retirei este texto do site Carta Maior Artigo O &#8220;século breve&#8221;, o XX, foi um período marcado &#8230; <a href="http://www.gilgiardelli.com.br/blog/2010/02/28/o-objetivo-de-uma-economia-nao-e-o-ganho-mas-sim-o-bem-estar-de-toda-a-populacao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.gilgiardelli.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/Um-novo-mundo1.jpg"><img class="size-full wp-image-2858 alignright" title="Um novo mundo" src="http://www.gilgiardelli.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/Um-novo-mundo1.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Eric Hobsbawm: uma nova igualdade depois da crise!</p>
<p>O texto foi publicado no jornal <em>La Repubblica</em>, em 09-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Retirei este texto do site <a href="http://www.cartamaior.com.br">Carta Maior</a></p>
<p>Artigo</p>
<p>O &#8220;século breve&#8221;, o XX, foi um período marcado por um conflito religioso entre ideologias laicas. Por razões mais históricas do que lógicas, ele foi dominado pela contraposição de dois modelos econômicos – e apenas dois modelos exclusivos entre si – o &#8220;Socialismo&#8221;, identificado com economias de planejamento central de tipo soviético, e o &#8220;Capitalismo&#8221;, que cobria todo o resto.</p>
<p>Essa contraposição aparentemente fundamental entre um sistema que ambiciona tirar do meio do caminho as empresas privadas interessadas nos lucros (o mercado, por exemplo) e um que pretendia libertar o mercado de toda restrição oficial ou de outro tipo nunca foi realista. Todas as economias modernas devem combinar público e privado de vários modos e em vários graus, e de fato fazem isso. Ambas as tentativas de viver à altura dessa lógica totalmente binária dessas definições de &#8220;capitalismo&#8221; e &#8220;socialismo&#8221; faliram. As economias de tipo soviético e as organizações e gestões estatais sobreviveram aos anos 80. O &#8220;fundamentalismo de mercado&#8221; anglo-americano quebrou em 2008, no momento do seu apogeu. O século XXI deverá reconsiderar, portanto, os seus próprios problemas em termos muito mais realistas.</p>
<p>Como tudo isso influi sobre países que no passado eram devotados ao modelo &#8220;socialista&#8221;? Sob o socialismo, haviam reencontrado a impossibilidade de reformar os seus sistemas administrativos de planejamento estatal, mesmo que os seus técnicos e os seus economistas estivessem plenamente conscientes das suas principais carências. Os sistemas – não competitivos em nível internacional – foram capazes de sobreviver até que pudessem continuar completamente isolados do resto da economia mundial.</p>
<p>Esse isolamento, porém, não pôde ser mantido no tempo, e, quando o socialismo foi abandonado – seja em seguida à queda dos regimes políticos como na Europa, seja pelo próprio regime, como na China ou no Vietnã – estes, sem nenhum pré-aviso, se encontraram imersos naquela que para muitos pareceu ser a única alternativa disponível: o capitalismo globalizado, na sua forma então predominante de capitalismo de livre mercado.</p>
<p>As consequências diretas na Europa foram catastróficas. Os países da ex-União Soviética ainda não superaram as suas repercussões. A China, para sua sorte, escolheu um modelo capitalista diferente do neoliberalismo anglo-americano, preferindo o modelo muito mais dirigista das &#8220;economias tigres&#8221; ou de assalto da Ásia oriental, mas abriu caminho para o seu &#8220;gigantesco salto econômico para frente&#8221; com muito pouca preocupação e consideração pelas implicações sociais e humanas.</p>
<p>Esse período está quase às nossas costas, assim como o predomínio global do liberalismo econômico extremo de matriz anglo-americana, mesmo que não saibamos ainda quais mudanças a crise econômica mundial em curso implicará – a mais grave desde os anos 30 –, quando os impressionantes acontecimentos dos últimos dois anos conseguirão se superar. Uma coisa, porém, é desde já muito clara: está em curso uma alternância de enormes proporções das velhas economias do Atlântico Norte ao Sul do planeta e principalmente à Ásia oriental.</p>
<p>Nessas circunstâncias, os ex-Estados soviéticos (incluindo aqueles ainda governados por partidos comunistas) estão tendo que enfrentar problemas e perspectivas muito diferentes. Excluindo de partida as divergências de alinhamento político, direi apenas que a maior parte deles continua relativamente frágil. Na Europa, alguns estão assimilando o modelo social-capitalista da Europa ocidental, mesmo que tenham um lucro médio per capita consideravelmente inferior. Na União Europeia, também é provável prever o aparecimento de uma dupla economia. A Rússia, recuperada em certa medida da catástrofe dos anos 90, está quase reduzida a um país exportador, poderoso mas vulnerável, de produtos primários e de energia e foi até agora incapaz de reconstruir uma base econômica mais bem balanceada.</p>
<p>As reações contra os excessos da era neoliberal levaram a um retorno, parcial, a formas de capitalismo estatal acompanhadas por uma espécie de regressão a alguns aspectos da herança soviética. Claramente, a simples &#8220;imitação do Ocidente&#8221; deixou de ser uma opção possível. Esse fenômeno ainda é mais evidente na China, que desenvolveu com considerável sucesso um capitalismo pós-comunista próprio, a tal ponto que, no futuro, pode também ocorrer que os historiadores possam ver nesse país o verdadeiro salvador da economia capitalista mundial na crise na qual nos encontramos atualmente. Em síntese, não é mais possível acreditar em uma única forma global de capitalismo ou de pós-capitalismo.</p>
<p>Em todo caso, delinear a economia do amanhã é talvez a parte menos relevante das nossas preocupações futuras. A diferença crucial entre os sistemas econômicos não reside na sua estrutura, mas sim na suas prioridades sociais e morais, e estas deveriam portanto ser o argumento principal do nosso debate. Permitam-me, por isso, a esse ilustrar dois de seus aspectos de fundamental importância a esse propósito.</p>
<p>O primeiro é que o fim do Comunismo comportou o desaparecimento repentino de valores, hábitos e práticas sociais que haviam marcado a vida de gerações inteiras, não apenas as dos regimes comunistas em estrito senso, mas também as do passado pré-comunista que, sob esses regimes, haviam em boa parte se protegido. Devemos reconhecer quanto foram profundos e graves o choque e a desgraça em termos humanos que foram verificados em consequência desse brusco e inesperado terremoto social. Inevitavelmente, serão necessárias diversas décadas antes de que as sociedades pós-comunistas encontrem uma estabilidade no seu &#8220;modus vivendi&#8221; na nova era, e algumas consequências dessa desagregação social, da corrupção e da criminalidade institucionalizadas poderiam exigir ainda muito mais tempo para serem combatidas.</p>
<p>O segundo aspecto é que tanto a política ocidental do neoliberalismo, quanto as políticas pós-comunistas que ela inspirou subordinaram propositalmente o bem-estar e a justiça social à tirania do PIB, o Produto Interno Bruto: o maior crescimento econômico possível, deliberadamente inigualitário. Assim fazendo, eles minaram – e nos ex-países comunistas até destruíram – os sistemas da assistência social, do bem-estar, dos valores e das finalidades dos serviços públicos. Tudo isso não constitui uma premissa da qual partir, seja para o &#8220;capitalismo europeu de rosto humano&#8221; das décadas pós-1945, seja para satisfatórios sistemas mistos pós-comunistas.</p>
<p>O objetivo de uma economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas. Não importa como chamamos os regimes que buscam essa finalidade. Importa unicamente como e com quais prioridades saberemos combinar as potencialidades do setor público e do setor privado nas nossas economias mistas. Essa é a prioridade política mais importante do século XXI.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.gilgiardelli.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/Daniel_in_the_LionsDen_1615_Peter_Paul_Rubens.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2857" title="Daniel in the Lion'sDen 1615 Peter_Paul_Rubens" src="http://www.gilgiardelli.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/Daniel_in_the_LionsDen_1615_Peter_Paul_Rubens.jpg" alt="" width="655" height="267" /></a></p>
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