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Eu e a genial Letícia Valente, em nossa coluna “Revolução” na Band News, falamos sobre exploração espacial. Escute aqui.

Segue material de estudo para criar a coluna. Espero que goste.

Enquanto no Fórum Econômico Mundial na Suíça discute-se a terceira revolução industrial no planeta Terra, um astronauta da NASA, flutuando fora de órbita, declamou “a estreia da primeira flor nascida no espaço”.

A grande fronteira é espacial! Acostume-se com a ideia de escutar notícias como “água é encontrada em Marte” ou “descoberto planeta primo da Terra”.

Alguns asteroides têm tantas toneladas de níquel, ferro, cobalto e água, que chegam ao valor estimado de US$100 trilhões, cinco vezes o PIB dos EUA.

Existem drogas farmacêuticas, por exemplo, que só poderiam ser desenvolvidas no espaço. “Há muitas fronteiras novas e conhecimento relevante que pesquisadores médicos podem obter ao usar as estações espaciais”, disse Stephen I. Katz, diretor do Instituto Nacional de Atrite, Doenças Osteomusculares e de Pele, parceiro da NASA.

A Planetary Resources, empresa fundada por um ex-engenheiro da NASA, tem entre seus investidores Larry Page e Eric Schmidt, do Google, o cineasta James Cameron, diretor de ‘Avatar’, e Richard Branson do Grupo Virgin, que pretendem explorar o espaço nos próximos 10 anos.

SpaceX (Elon Musk) e Blue Origin (Jeff Bezos, CEO da Amazon), disputam o pouso vertical de foguetes reutilizáveis.

Fundada em 2010, a Made in Space pensa o futuro da humanidade no espaço, utilizando mineradores espaciais e impressoras 3D em gravidade zero, que já imprimem na Estação Espacial Internacional.

Imprimir telescópios, ferramentas e o que for necessário será uma realidade para os bandeirantes do espaço.

A Agência Espacial Europeia (ESA) tem 350 especialistas trabalhando em um projeto que utilizará impressão 3D, robôs e material coletado na superfície da Lua para construir um centro para abrigar até quatro astronautas. Os europeus trabalham para que até 2030 se concretize a ocupação na base lunar, como afirmou a ESA no Simpósio Internacional da Lua 2020-2030.

A Airbus e seu telescópio Gaia, com sua câmera de bilhões de pixels, têm a missão de monitorar um bilhão de estrelas até 2020 para criar um mapa 3D detalhado que estará disponível para a humanidade.

Impressão 3D na Estação Espacial Internacional

Resolvendo o quebra-cabeça celestial

Em 1961, Iuri Gagarin foi o primeiro homem a dar a volta ao redor da Terra a bordo da cápsula Vostok, tornando-se um herói na União Soviética e no mundo. “Vi a Terra, e o que senti nesse momento, em uma palavra, foi alegria”, foi a frase que marcou a sensação de ver o planeta.

Nano Satélites

A especificação CubeSat (acrônimo das palavras em inglês “cube” e “satellite”, cubo e satélite) nasceu da colaboração entre professores da Universidade de Stanford e da California Polytechnic State University no final de 1990. Bob Twiggs e Jordi Puig-Suari, frustrados com longos atrasos e o alto custo no programa de satélites, resolveram democratizar a informação.

Os CubeSat são pequenos satélites, com peso um pouco superior a 1 kg e volume de 1 litro, e cujo objeto é tornar o acesso a informações espaciais mais fácil para universidades e centros de ensino, colaborando dessa forma para a produção de conhecimento científico.

‘Com um único chip, [é possível] criar a maior parte dos recursos que você teria encontrado com Sputnik, e mais rápido”, afirma um chefe da NASA e professor da Cornell Universidade.

Hoje qualquer pessoa pode montar e programar em plataformas de código aberto (as chamadas “open source”). Aproveitando smartphones e outras tecnologias de consumo, pequenos satélites estão mudando o negócio do espaço e são lançados gratuitamente com a NASA.

Acompanhando os 300 nanosatélites na órbita da Terra

Nos próximos cinco anos, mais de 1000 nanosats serão lançados para fornecer dados científicos úteis e serviços comerciais observáveis, como:

controlar as condições ambientais; derrubada ilegal de árvores ou mudanças no curso dos rios; número de árvores em uma floresta; número de carros em vários momentos do dia; padrões de transporte; infraestrutura monitorada; plantio de campos; poluição nas chaminés; navios nos portos; detecção de radiação solar e cósmica e as interações entre os campos magnéticos.

Brasil, espaço e educação

Um professor da cidade de Ubatuba, São Paulo, teve a ideia de engajar seus alunos em um projeto quixotesco: construir um satélite com estudantes de uma escola pública na faixa dos 12 anos no Brasil.

O projeto cresceu, eles ganharam reconhecimento, foram visitar a NASA e apresentaram o projeto no Japão. Tudo isso com um orçamento de R$ 14.000,00. Veja o documentário UbatubaSat – Uma Jornada de Conhecimento.

Enquanto isso no Programa Espacial Brasileiro… Foi gasto aproximadamente meio bilhão de reais no projeto Cyclone 4, em parceria com a Ucrânia. O sucesso durou cinco minutos e o satélite nem saiu de caixa. O projeto falhou vergonhosamente, disseram os jornais mais otimistas.

Mas nem tudo é negativo. “Se você tem filhos na escola, é bem possível que o primeiro emprego deles possa estar no espaço”, contou o CEO da Planetary Resources Chris Lewicki.

Leis espaciais existentes

A grande referência em leis espaciais é o Tratado do Espaço Exterior de 1967. Ratificado por 103 países, incluindo os spacefaring (termos que se refere a nações capazes de construir e colocar em órbita pessoas e/ou satélites), ele proíbe qualquer território de “apropriar-se” do espaço. Há um tratado mais restritivo, o Tratado Lua de 1979, mas os países spacegoing não assinaram, tornando-o menos relevante.

Resultado: a maioria dos estudiosos espaciais estão de acordo que ninguém pode reivindicar um corpo celeste para o seu próprio território e as atividades realizadas em objetos espaciais devem estar em concordância com as leis internacionais.

Os EUA estão agora discutindo a elaboração de uma lei para mineração de asteroides, porém problema reside no fato de ela unilateral e incompleta. O Lançamento Espacial Competitividade Act Comercial de 2015 diz que os cidadãos estadunidenses podem “possuir, apropriar-se, transportar, usar e vender o recurso de asteroide ou o recurso espacial obtido em conformidade com a legislação aplicável, incluindo as obrigações internacionais dos EUA”.

Porém, o que esse projeto de lei trata é mais voltado para escala de produção industrial e escoamento da matéria-prima para a Terra. Contudo, como já vimos, essa legislação vai de encontro ao Tratado do Espaço que proíbe as nações de apropriarem-se de corpos celestes. Há conflitos entre a barreira que separa um objeto de estudo científico e um produto com fins comerciais.

Há uma chance de as nações exploradoras obterem este direito. Espero que eles façam. Caso contrário, haverá uma batalha nível Star Wars com trilhões de niqueis e cobaltos na balança.

Links para aprender

Mineração Espacial

App Earth Now da Nasa (iTunes)

TEDx Talk: Como a mineração em asteróides pode nos ajudar a viver no espaço

Nanosats